quinta-feira, 16 de abril de 2009


Zefirina passeava pelos campos de trigo e contemplava o movimento dos moinhos pelo vento do fim de tarde. Arrancava um galho e o mordiscava entre seus dentes brancos.

Tudo parecia calmo e uma sensação de ócio flertava o seu redor; o que ela mais desejava era ornar o seu adro com os grãos de trigo, aqueles aos quais ela se interagia e contemplava as ondas que estes formavam com o trânsito do vento.

Zefirina questionava o porquê de não ter feito isso antes, de construir seu espaço agradável...

Talvez estivesse ocupada demais, cansada demais, triste demais, ou namorando demais. Enfim, até então, não havia se dedicado em construir seus momentos de paz. Mas agora, Zefirina está feliz: podia beber água pura da fonte, poderia roubar as melhores maçãs do vizinho e poderia passar entre os cães ferozes que guardavam o quintal sem medo; poderia viver sem se importar com o pensamento das pessoas acerca dela, poderia viver sem moral, poderia andar descalça, sem calcinha, poderia tomar banho de cachoeira, nua.

Também poderia invadir a vida das pessoas, entrar em suas casas e em seus quartos sem ser notada... Tinha, agora, a capacidade de entrar em suas mentes e descobrir seus desejos mais íntimos.

Diante do barulho dos moinhos de vento, e deste passando pelo trigal, Zefirina sorria e, agachada, ornava o adro em volta do seu antigo corpo que jazia estendido no chão, cujo sangue tingira seu vestido branco.

E pelo seu semblante ela parecia muito feliz.

Um comentário:

Plínio Gomes disse...

Meu querido, tem pão que não vinha aqui. Lindo texto. Amei.
Outra coisa, se puder, adiciona meu msn: pliniogomess@hotmail.com
abraço perfumado