terça-feira, 16 de setembro de 2008

As 4 Paredes de Marisa que vi e ouvi hoje

Quatro Paredes

Marisa Monte

Eu só não te convido pra dançar
Porque eu quero encontrar com você em particular
Há tempos tento encontrar um bom momento
Alguma ocasião propícia
Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus
Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus

Procuro explicar o meu sentimento
E só consigo encontrar
Palavras que não existem no dicionário
Você podia entender meu vocabulário
Decifrar meus sinais, seria bom

Eu só não te convido pra dançar
Porque o assunto que eu quero contigo é em particular
Há tempos tento encontrar um bom momento
Alguma ocasião propícia
Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus
Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus

Procuro explicar o meu sentimento
E só consigo encontrar
Palavras que não existem no dicionário
Você podia entender meu vocabulário
Decifrar meus sinais, seria bom

domingo, 14 de setembro de 2008

Liberdade, Interação e Liberdade


Mais uma vez ouvindo o album solo de Marcelo Camelo, me deparei com uma música em que ele faz parceria com Dominguinhos, cujo nome soa algo, digamos, utópico (ao menos nos meus pontos de vista acerca da vida): "Liberdade". Caiu como uma luva, logo num domingo em que tive a liberdade de passar com amigos em volta de uma mesa de sinuca, porém ainda não vinha no paladar o sabor de liberdade, aquela que possui tantas definições quanto às pessoas que opinam sobre ela. Talvez a liberdade esteja aberta ao íntimo humano. Não sei... vai saber, tanto faz... Abaixo, a letra da música:

Liberdade Marcelo Camelo

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não
Eu vivo a vida na ilusão

Entre o chão e os ares
Vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar eu vou

É Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro

De que vale ser aqui
De que vale ser aqui
Onde a vida é de sonhar?
Liberdade



Voltando ao domingo... havia interação em torno daquela mesa de sinuca. Eles pareciam felizes e descontraídos. Não joguei, pois não admito pagar micos além dos que o acaso me proporciona (risos); porém, sentado na mesa com uma garrafa de cerveja ao lado só pra mim, procurei me interagir com eles, e foi a gradável, de verdade. Registrando os momentos através de uma câmera, engraçado como reagiam à lente: nada formal, nenhuma pose séria; somente caretas, rrssss. Pra completar, acabei encontrando na internet uma animação japonesa que retrata um diálogo, o qual aborda temas como a liberdade e a necessidade (além de importância) de se interagir com os elementos externos, incluindo os humanos ("?"). Confiram, e espero contribuir em alguma coisa:

domingo, 7 de setembro de 2008


Marcelo Camelo consola seus fãs: chega o primeiro álbum solo do cantor e compositor hermânico, com dez faixas disponíveis na Internet para download. O "cara estranho" aparece com um semblante mais amadurecido, barba maior e pele queimada de sol. Apesar das mudanças físicas, ainda conserva a sensibilidade em sua voz e arranjos; os temas como cara estranho, morena, vento, solidão e mar ainda são existentes em suas letras.

Os outros componentes hermânicos dão espaço para o vanguardismo Hurtmold, contemplado nos arranjos das músicas “Mais tarde” e "Tudo passa".

As músicas do álbum "Sóu" (ou nós, lido na ordem inversa) podem ser encontradas neste link:
http://callback.terra.com.br/marcelocamelo/site/baixar.html

Confira a letra da música "Doce Solidão", interpretada numa voz e sentimentalismo próprio do Marcelo.

Posso estar só
Mas sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah nem, ah não, ah nem dá
Solidão foge que eu te encontro
Que eu já tenho asas
Isso lá é bom?!
Doce solidão

Doce Solidão - Marcelo Camelo :














sábado, 6 de setembro de 2008

O 05 de outubro e o discusso de Charlis Chaplin (O Grande Ditador)

"É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos. "

* O Grande Ditador.




sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pérolas do Enem


Bom, enquanto as perolas do Enem 2008 ainda estão em processo de análise (kkk) fiquemos com essas antigas para passar o tempo e viver aquela nostalgia da educação brasileira:

“…Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigênio….”

Comentário: Antes de ter inventado, ele respirava o que mesmo?

“… A harpa é uma asa que toca…”

Comentário: Imagine a definição para Trombone de Vara…

“… O vento é uma imensa quantidade de ar….”

Comentário: O sobrinho de 3 anos, de um amigo meu também pensava isso quando tinha 2.

“…O terremoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas…”

Comentário: Logo….em terras cultivadas não se registram movimentos/tremores?!

“…Os egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor….”

Comentário: Uau! Nisso nem Von Daniken pensou!

“…Péricles foi o principal ditador da democracia grega….”

Comentário: Isso. E Stalin foi o principal seguidor de Mahatma Ghandi…

“…O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de necessidades….”

Comentário: Claro! Eliminem as ‘necessidades’ do terceiro mundo e os problemas desaparecerão!

“…O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes se afogavam dentro d’água….”

Comentário: Sim, por isto o Petróleo é preto. Está de luto pela morte dos pobres peixinhos…

“…A principal função da raiz é se enterrar…”

Comentário: este pensamento deu origem à série de TV “A Sete Palmos”.

“… A igreja, ultimamente, vem perdendo muita clientela….”

Comentário: Mentira! Está ela cada vez mais rica!

“…O sol nos dá luz, calor e turistas….”

Comentário: Esse com certeza vive do Sol.

“…As aves tem na boca um dente chamado bico….”

Comentário: É, e os homens têm uma ‘arcada bicária’.

“…A unidade de força é o Newton, que significa a força que se tem que realizar em um metro da unidade de tempo, no sentido contrário….”

Comentário: :(

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Por outro lado, acredito que seria mais interessante que esses comentários nas redações dos estudantes candidatos mantivessem um cunho analítico, com a finalidade de questionar se toda essa conversa que ouvimos e vemos acerca do "desenvolvimento educacional" no Brasil é verdadeira. Governantes, senhor presidente... Mande uma redação sua para que as pérolas deste ano sejam ricamente contempladas!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Just the way you are

I don't want clever conversation
Eu não quero uma conversa interessante

don't want to work that hard
Eu não quero trabalhar tão duro assim

I just want some someone to talk to
Eu só quero alguém para conversar

I want you just the way you are.
Eu te quero do jeito que você é



Clip da música, interpretado pela jazzista Diana Krall.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ei, qual é o seu nome?

Shadow não conseguia decidir se estava olhando para a lua do tamanho de uma moeda, a 30 centímetros de sua cabeça, ou se estava olhando para uma lua do tamanho do Oceano Pacífico, a milhares de quilômetros de distância. Nem se havia alguma diferença entre as duas idéias. Talvez tudo fosse uma questão de como encarar o assunto.
Ele olhou para o caminho bifurcado à sua frente.
- Que caminho devo escolher? Qual deles é seguro?
- Escolha um, e você não vai poder escolher o outro. Mas nenhum deles é seguro. Que caminho você percorreria... o das verdades duras ou o das boas mentiras?
- O das verdades. Eu já cheguei longe demais pra querer mais mentiras. Ele parecia triste.
- Você vai ter que pagar um preço, então.
- Eu pago. O preço que for.
- Seu nome - ela disse. - Seu nome verdadeiro. Vai ter que entregar pra mim.
- Como?
- Assim - ela disse.
Esticou uma das mãos em direção à sua cabeça. Ele sentiu seus dedos aca­riciarem sua pele, depois os sentiu penetrar seu corpo, sua caveira, sentiu-os entrando bem no fundo da cabeça. Sentiu cócegas dentro da cabeça e pela espi­nha. Ela tirou a mão. Uma chama, como a chama de uma vela, mas queimando com um branco de magnésio claro, cintilava na ponta do seu indicador.
- Isso aí é o meu nome? - ele perguntou. Ela fechou a mão, e a luz se apagou.
-Era.

*extraído do livro "Deuses Americanos", de Neil Gaiman.

Empatia por Sra. Lispector


Dá-me a tua mão


Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

*********

Dentro do ônibus tento acompanhar a mente de Clarice, mas ela vai sempre na frente; mesmo assim, ela me entende. São em alguns intervalos, entre aquilo que chamamos de realidade e idéia, que me pego pensando, sobre o que vêm a ser aquelas necessidades de pensar sobre um futuro próximo. Isso equivale ao silêncio que substitue a resposta.
Queria a resposta agora, desejava antes de digitar isso. Mas é tolice... que graça teria se as respostas estivessem prontas? O que seria do indivíduo, cuja existencia está alicerçada em especulações sobre a sua vida, se obtivesse interpretações pré-fabricadas?
Essa busca cega que Clarice relata, me faz lembrar do quanto busquei determinados princípios. Não, ainda não encontrei; se já, fui displicente e deixe escapar. Mas naqueles espaços que dividem os dois grãos de tempo, passado e futuro, existem aquele presente, onde vivo aquela inconstância momentânea.

sábado, 30 de agosto de 2008


Uma sensação agradável, como se a forma física estivesse se desintegrando e espalhando para preencher toda integridade da existência.

Complementação Humana. Caso exista uma nova forma de vida após a morte, é essa, para mim, a idéia mais aceitável...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Into the Wind


Não lembro quando foi a primeira vez que tive contato com o mar; mas tenho lembranças da minha tamanha surpresa diante daquela imensidão, que via apenas em fotografias, ou narrações daqueles que o conheceu. Os únicos presentes do mar são golpes muito duros e um sabor nada doce em conhecê-lo. Mas é gostoso... A chance de sentir- se forte também é frequente quando somos banhados por seus golpes.


Eu não conheço muito o mar, no sentido mais profundo do verbo "conhecer", mas sei que as coisas são assim. E também sei como isso é importante na vida. Não necessariamente ser forte, mas SENTIR-SE forte; confrontar- se ao menos uma vez na vida consigo mesmo e pesar os desejos mais profundos e íntimos, e chegar a uma conclusão de que a felicidade é plena quando partilhada. Achar- se ao menos uma vez na vida, na mais antiga condição humana, enfrentar aquela pedra cega e surda a sós... Enfrentar a si mesmo, sem outra ajuda, além das próprias mãos e mentes.


Aquelas perguntas continuarão vindo, sinto isso. Mas considero que, talvez, se as respostas para tais questionamentos viessem tão rápidas e pré- fabricadas, com certeza não aproveitaria o pôr-do-sol sortanejo numa tarde de domingo, ou relembraria o sabor salgado e forte do mar.


Muito Obrigado.








segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Rompimento


Ainda criança, eu tinha como passatempo cuidar de uma horta que meu pai havia feito no fundo do quintal. Certo dia, ao regar, havia percebido que uma planta (não lembro o nome) tinha o seu broto quebrado. "Basta você arrancar o galho quebrado, e nascerá outro talo em seu lugar." Embora tenha ouvido isso, fiquei com pena, pois as folhas ainda estavam verdes e deixei como estava. No outro dia, retornei ao quintal e a planta quebrada estava se entortando, incapaz de aguentar seu próprio peso. Foi como ele disse, não havia escolha a não ser cortar a parte quebrada. Não havia opção, senão romper o galho e deixar que outro nascesse.

******

Ontem, observando o pôr- do- sol no alto da cidade, fazia muito frio. Com goles de uma bebida quente acabei me pegando em alguns equívocos. Imaginava um futuro alternativo (mas quem não faz isso?) e angustiava com tudo isso. Creio que essas reações presentes sejam frutos de uma circunstância pessoal, incompreendida por mim mesmo, às vezes. Mas é um fato.
Só posso dizer que eu tenho a alternativa de arrancar o galho quebrado, mesmo que ele pareça estar saudável... Este galho são todos aqueles desejos de outrora, e aqueles que fluem ainda em mim. No entanto, volto a lembrar da minha infância, quando acreditei que deixando ele ali tudo ficaria bem, o que resultou na morte daquela planta. Por que o homem acaba remoendo lembranças da infancia para comparar com a realidade presente? Eu sou assim; várias vezes nunca me cansando disso, como um tolo, repetindo e repetindo a única coisa que sabe fazer, sendo assim, incapaz de romper aquilo que permite uma estabilidade.

domingo, 24 de agosto de 2008

sábado, 23 de agosto de 2008




"Eu, alquimista de mim mesmo. Sou um homem que se devora? Nao, é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos meus modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-em como posso entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.
Vivo em escuridão da alma, e o coração pulsando, sôfrego pelas futuras batidas que não podem parar". Clarice Linspector.


Mutação essa que me assombra. Sei que o homem constantemente muda seus conceitos, até mesmo da forma mais indesejada possível; é dialético, e esse conceito vem à tona quando eu sou o protagonista de minha história.


Mudanças dóem, e não sei lidar com a dor. É como um processo de lapidação, ou qualquer metamorfose de um ser vivo: é necessário arrancar aquilo que não serve mais, para que algo novo e mais forte renasça ( assim como os amores antigos? ). É interessante, mas não sei lidar com a dor, bem como àquilo que virá e não sei em que proporção. Para ficar mais forte? NO momento ainda me habituo com minhas fraquezas; as odeio, mas odeio ainda mais o fato de não resistir às dores. Sentimento esse desequilibrado, pois é uma luta entre dois lados opostos presentes em mim e, entre eles, permanece o "eu" confuso.


Dor é algo natural e que está contido no ser humano. Para alguns, que vivem constantes momentos dolorosos, passam a acreditar que a vida é pura dor.

Mas ontem, acabei ouvindo uma frase e me fez anestesiar por um tempo. Era algo que dizia que, apesar da dor ser intensa, devemos encará-la; se iniciou algo, continue, mesmo que a dor pareça não terminar.


Essa palavra tão citada aqui neste texto me parece agora familiar; não somos amigos ainda (risos) mas sou capaz de agora convidá-la a inserir em mim em troca de algo agradável. Esse pensamento pode ser resultado de uma pequena lapidação, aquela nossa de cada dia, imperceptível, porém reluzente àqueles que a conseguem ver.



Clover

Hoje lembrei de uma cena final de uma animação ( eu e minhas animações ), a qual numa despedida, o protagonista recebe de sua paixão platônica, fatias de pães com mel e em cada fatia um trevo de quatro folhas. Ele comia os pães, compulsivamente e sentia, junto ao mel, o salgado sabor das lágrimas. Durante todo o tempo ele imaginou que estaria sempre presente naquele ambiente, envolto de toda uma realidade, porém esta se dissolveria apartir daquele momento em que estava sentado no onibus com o destino à sua nova vida.

Bom, pães e mel posso encontrar em qualquer lugar. E os trevos de quatro folhas? Qual é a felicidade maior: receber uma sorte quando se encontra o trevo, ou o fato de encontrar algo tão difícil como ele?

Ei, seria eu capaz de chorar por algo encontrado?




quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sapato Novo
Los Hermanos

Composição: Marcelo Camelo

Como vai você? levo assim, calado
de lado do que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar

poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade morena
e é tudo que vale a pena

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

The Little Willies


"O mar pode nos afogar
Pode nos inundar
Com o seu rosto azul
Porém não consegue nos separar
Porque o amor respira sobre o mar

O ar pode nos ressecar
Pode nos carregar
Com o seu vento sul
Porém não consegue nos apagar
Porque o amor aumenta com o ar

Sempre que estiver à noite a chorar
Saiba que estarei aqui
Seco a água de seu pranto a soprar
Não demoras a sorrir

Se o vento é de levar
O mar é de trazer
De volta o que se vai
E a onda quer devolver
O amor de eu e você."

Ela e o gato: seus pontos de vista.

Bom, como toda maioria julga um livro pela capa, alguns podem dizer que animação japonesa é um resumo de pessoas de olhos enormes que vivem em pancadaria; típica destruidora de mentes infantis. Errado. Alguns retratam conceitos e experiências humanas de uma forma que, facilmente, um indivíduo se encaixaria no perfil.

Essa semana reassisti um curta, chamado Ela e seu gato (kanojo to kanojo no neko). Desenvolvido pelo diretor Makoto Shinkai, esta animação de apenas cinco minutos de duração retrata o dilema de uma garota apartir dos simples e pequenos pontos de vista de seu hóspede, um gato.

A narração vai levando o expectador a observar o amor nutrido do gato por sua dona e a angústia deste não conseguir compreender os sentimentos humanos. É uma história que retrata o amor na sua forma mais pura e simples, sem esperar nada em troca; apenas dois confidentes que dividem juntos a solidão de suas vidas.

Falar sobre as obras de Makoto Shinkai é acrescentar seus trabalhos com fotografias, um recurso que ele utiliza para tirar preciosidades nas coisas mais simples. Sinceramente, "Ela e seu gato: seus diferentes pontos de vista" é uma obra prima de difícil compreensão se for vista do alto; na verdade, é um toque genioso de um poeta que, de uma forma comovente, pueril e externamente simples, explica algo tão complexo como são os sentimentos humanos. Veja abaixo o curta:



quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Olimpíadas Stalinistas, digo "comunistas": a dublagem e a (o)pressão.


Não tanto pela necessidade de demonstrar ser "do contra"; opiniões ultrapassam meros rótulos. O fato de demonstrar uma opinião acerca dos eventos que estacionam a mente do mundo é algo que deve ao menos ser lido, para concordar ou repudiar.
Simbolos valem mais que mil palavras, às vezes; charges, muito mais. Sobretudo, aquelas censuradas pela mídia, ou pelo governo o qual é atacado por elas.
Esta mostra, sem dúvida, a opinião do chargista acerca das Olímpiadas em Pequim. Uma China que mata a dignidade de seus cidadãos e em troca abre as portas para o lucro que recebe por meio do evento "esportivo" . Uma republica que se reivindica comunista, haha... comunista. Trotski sabe muito bem do que estou rindo.

O que mais me impressionou, e considerei incrivel (não no aspecto maravilhoso da palavra, mas sim pela situação lamentável) foi a tentativa de "maquiar" os componentes do evento olímpico, como foi o caso da criança Yang Peiyi, uma chinesinha de sete anos,dona de grande voz, mas que não tinha os atributos corporais para se apresentar num evento tao importante (só por ser fofinha)... o que fizeram?foi substituida pela Lin Miaoke, uma garotinha de nove anos, que subiu ao palco e meramente mecheu seus lábios, dublando algo que não era seu. As crianças são culpadas?

Outros alvos e iscas daqueles que nos trazem grande alegria patriótica ( 5 de outubro é o dia de provar se somos patrióticos. Não, não é dia de Copa do Mundo) são, claro, os próprios atletas; e a nossa mãe Globo é a grande incentivadora para que esses cometam seus suicidios psicólogicos quando são pressionados a darem o melhor de si, mesmo quando dão passos maiores que suas pernas, metafóra e literalmente falando.

Bom, não sei se fui claro acerca de tudo isso que está acontecendo a nível mundial. Sonhos de crianças são fragilizados por substituições e dublagens; atletas vendem sua força de trabalho em troca de uma medalha burguesa (Marx explica); ativistas são abordados e repreendidos brutalmente fora das lentes televisivas; a censura é propagada vergonhosamente contra a liberdade de informação. Sim, eu sei, as olimpíadas continuarão acontecendo; não iria parar por que expressamos uma opinião contrária à forma como o esporte é retratado diante dela. Mas não me ponha na cabeça que este é um país de ideais comunistas; não sou otário e peço que tambem não sejam.

E as charges que virão com certeza hão de explicar melhor o que vemos na TV.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

1 Litro de Lágrimas.


Comecei, desde essa semana, a assistir um dorama (novela japonesa) chamado 1 Litro de Lágrimas (Ichi rittoru no namida). Diferente das novelas brasileiras, essa traz algo especial e enriquecedor ao indivíduo que assiste. Algo como o processo duro e lento de lapidação humana e amor à vida, por meio da dor. O enredo se baseia no diário real de Aya Kito (1962-1988), uma garota de quinze anos, colegial, filha de uma família que vende queijos. A vida de Aya vai, aos poucos mudando, ao perceber que tem levado tombos freqüentemente e passa a sofrer frequentes distrações. A mãe, preocupada, pede para que Aya vá ao médico para ser examinada. O médico informa que a garota tem Degeneração Espinocerebelar: uma doença que deteriora o cerebelo lentamente até o ponto que a vítima não pode andar, falar, escrever, ou comer. Porém, a doença não afeta a mente nem a memória. Desde então começa a luta familiar em torno desta doença.

" Por que esta doença me escolheu?" " Mãe, qual a razão da minha existencia?" "Quando penso no futuro, não consigo evitar de chorar."

Frases como essas fluem da mente da protagonista que, aos poucos, dá-se conta de que sua vida perde, de fato, toda a sua liberdade diante do espaço que a cerca. Assim como o filme "O Óleo de Lorenzo", que se desenvolve numa trama semelhante, este drama se baseia no "penso, logo existo."

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Em torno disso penso o que vem a ser "1 litro de lágrimas"? Talvez, além de ser um drama televisionado onde após atuarem, os atores saem de cena e vivem sua vida real, esta novela retrata algo que sentimos e se encontra em movimento em torno de nós. Apesar das dores, tocar em frente foi o sentido para Aya, e para Lorenzo também. Ambos que, por mais que tiveram seus corpos desintegrados, continuaram permitindo as suas mentes vivas em torno de um único ideal que era propagar a continuidade de sua existência.

Em meio ao sacrifício de encarar o medo acerca da dor, me propuz a assistir; assistir e aprender. Aprendi com Aya Kito que, às vezes, o reconhecimento do valor da vida se dá por meio de momentos dolorosos. Talvez ela tenha encontrado respostas às perguntas que havia feito anteriormente. E sei que mais tarde encontrarei respostas para as minhas.

"O fato de eu estar viva é uma coisa tão encantadora e maravilhosa que me faz querer viver mais e mais."

domingo, 1 de junho de 2008

Quando era pequeno, montado numa velha bicicleta verde barra circular, pensei até onde conseguiria pedalar sem olhar pra trás.
Hoje me pergunto se já alcancei essa façanha, ou se ainda caminho, pedalando com o apoio de rodinhas...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Do Outro Lado do Rio (Al otro lado del rio)

Finco o meu remo na água levo o teu remo no meu
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.

O dia vai vencer aos poucos o frio
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.

Principalmente acredito que nem tudo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
E eu sou um copo vazio.
Ouço uma voz que me chama... quase um suspiro
Rema, rema, rema.

Nesta margem do mundo
Oque não é represa é baldio
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.

Eu, muito sério, vou remando
E bem lá dentro, sorrio
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.

Principalmente acredito que nem tudo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
E eu sou um copo vazio.
Ouço uma voz que me chama... quase um suspiro
Rema, rema, rema.

Finco o meu remo na água levo o teu remo no meu
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.

sábado, 10 de maio de 2008

Humanos (In)secretos

Pensando bem, não existe mal secreto, tampouco um bem hipocritamente secreto; existe o eu.
Esse eu é a causa da minha história; mantém minha existência numa vida realista (ou surrealista); conscientiza meu ser em vários aspectos que, somente, outros seres da minha mesma espécie são capazes de especular e retroagir. Mas jamais encontram a real forma.
O eu humano, que todos têm (ou acham não ter mais), capaz de se esconder em diversas cascas, em belezas difundidas, em inteligências arrogantes, em mentiras envaidecidas, em compaixões mórbidas, é um animal triste. Acuado, vive a constância metodologia de vida de ouriços que, temendo ser ferido por espinhos dos outros, vive meramente armado. O contato entre humanos é assim: por mais necessário que seja, é doloroso. Por isso as máscaras?
Já recebi conselhos de ultrapassar meu campo que me protege. "Ah, você deveria mudar sua forma de viver..."; "Seja assim, seja assado..." ; "Vejamos se você cabe em mim..." ; "Uuuuh, eu quero você como eu quero"... Conselhos... depois da ressaca de consciência, percebi que tudo isso nada mais era senão necessidades de carências afetivas; necessidades de uma pseudo-vida em sociedade.
Mude, seja, caiba, queira... Meros apelos para uma satisfação alheia.
Típico de mim e de você.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

No Paulistão...

"Quem vai nos proteger da nossa felicidade?"
Pergunta feita por Camila, numa noite de sexta-feira. Esqueça isso e vire mais um gole

terça-feira, 22 de abril de 2008

Pontos de Vista : "O Velho e o Moço."


Sentado num banco daquela praça, lá estava aquele velho homem cumprindo seu típico ritual de alimentar os pombos. Sua expressão apática parecia não se importar com mais nada que se relacionava com a sua existência; trajando seu velho moleton desbotado, parecia aguardar a Dama Morte a fim de cumprir a única certeza humana.

De onde eu estava pensei que ele apenas alimentava os pombos como um mero passatempo. Jogou, pois, mais um punhado de alpiste, e sorriu. Tal expressão de afeto, ou não, me deixou transtornado. Não me perguntem por que, uma vez que sentimentos não são explicados, por isso minha crise diante deles.

Enfim o velho notou minha presença e me convidou para sentar próximo a ele, como quem queria iniciar algum diálogo. Não possuia, e não possuo, o hábito de conversar com idosos; talvez por não preferir as dicas pré- fabricadas de sobrevivência daqueles que há muito tempo permanecem em vida. Tive o receio, mas minha ânsia falou mais forte e me aproximei.

O calor da tarde deu espaço para que sentisse um frio psicológico; passei a notar a melancolia enrugada naquele rosto esculpido pelo tempo e pelas ausências que experimentara. Sentado no banco da praça, lá estava ele e eu: dois pontos de vista diferentes sobre o mundo, encarnados em contextos diferentes.

Ele possuia um semblante sofrido, angustiado, como se a dura realidade fosse sua mãe por um bom tempo; ou talvez algo que ele esculpiu à sua imagem e semelhança. Talvez não tenha sido um bom filho, um bom pai, um bom avô, e tenha recebido como castigo dos céus a essência opaca, e a observá- la naquele lugar.

Não conversamos nada, apenas observàvamos os pombos. Passei a me enxergar nele e ver séries de futuros alternativos; ele me olhava e tinha sensações nostálgicas, de tentar alcançar a juventude esquecida. O velho e o moço.

Voltando à realidade, imaginei que nada mais existia além de pombos, alpiste e duas sombras esquecidas no meio do outono.

domingo, 20 de abril de 2008

Além do desespero, o saudosismo.




O homem é um animal tolo; acredita ser feliz quando não se conhece. Prefere viver fechado em seu casulo abafado a experimentar a dor de encontrar vias que favorecem a capacidade de pensar. Talvez falta coragem, como aquela de Adão e Eva que preferiram uma via crucis, mas livre, realmente livre, a viver naquele paraíso comodo e infantil, criado pelos homens com a finalidade de sustentar o destino da humanidade em viver como marionetes de Deus.


Aquele livro que outrora me levava a outros estilos hipócritas de vida já não me motiva mais. A sede é intensa; quero saciá- la. Qual homem não possue a sede de liberdade, por mais infame e transcedental ela seja?


Digo que Eva lutou por isso; Pandora também, e todas aquelas que procuraram em toda sua vida mitológica libertar nós homens de nossa existencia pacata. Admiro as mulheres por isso; talvez pelo fato de darem não à luz, mas livrar suas criaturas de um universo cômodo interior, mesmo que depois eles recaem numa sede alienada por seus deuses esculpidos em pedras e mentes.


Bom, já comecei a aceitar que a mudança ocorre quando menos espero; um algoz me dá constantemente reações de ânimo, e pelo calor que escorre do sangue percebo que ainda estou vivo.

sábado, 19 de abril de 2008

Se minhas palavras não são o bastante
Você pode abrir meu peito e com uma faca cortar meu coração

Mesmo que eu não tenha percebido
Suas desculpas e incertezas

Algum dia eu odiarei alguém assim outra vez?
Nesse caso, então lhe abraçarei cada vez mais
E você poderá perfurar meu coração como um estilhaço
Contanto que eu possa permanecer eternamente em suas memórias.

Devaneios em um bar


A musica o envolvia; era somente ela e aquele sentimento de desapego que envolvia seu ser. A xícara com o resto de café esquecido pendia na ponta da mesa, numa tentativa de suicídio. Ele não se importava mais, senão com aquela canção que emanava daquele jukebox, preenchendo a essência daquele bar.

Recostado na mesa nada mais lhe importava; seus contos inacabados em folhas sujas de um caderno velho ganhava influencia daquela canção, triste cúmplice da perda que sofrera naquele verão.

Aquele universo, meramente paralelo, entre contatos triviais, típico dos jovens da época, fazia dele amante daquela caixa que Pandora um dia lhe presenteara. Dejà vus constantes eram frutos daquela sensação perdurante.

Futare no Kage era seu nome; o nome da triste canção que o fez sorrir com o rosto sobre a mesa, enquanto lembrava daquela mulher que um dia o amou, mas preferiu cair nos braços da dama morte.

Humanidade.
A criação que cria.
A criação que pensa.
A criação apegada e desapegada simultaneamente ao seu "criador".
A criação distorcida, inacabada, pragmática.
A criação dúbia e contraditória; autêntica e hipócrita.
A criação que cria religiões para sobreviver , e finaliza sua existência num cemitério de cruzes.
A criação que cria deuses a fim de afogar suas crises num mundo caótico.
A criação divina.
A divindade que foi criada.
A criatura que questiona.
A criação que não se responde.
O café amargo e frio lhe arranca uma careta, semelhante àauelas escondidas entre seus sorrisos falsos. Auto punição era sua identidade; costumava carregar seus estigmas abertos apenas pelo simples aceitar de um castigo merecido por ser livre.

Liberdade... sentimento materializado utopicamente na lança cravada no peito do subversivo crucificado. Assim como o amargor excitante do café, arrancou dolorosamente os pregos que lhe prendiam naquele madeiro; despencou e sentiu que o chão, o qual lhe convidava a caminhar independentemente.

A luz vinda do horizonte no fim da madrugada cegava os olhos daquele cuja vida estava moribunda em crenças triviais. E naquele momento, descobriu que sua fé é tão solúvel e amarga quanto aquele café.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Shadow não conseguia decidir se estava olhando para a lua do tamanho de uma moeda, a 30 centímetros de sua cabeça, ou se estava olhando para uma lua do tamanho do Oceano Pacífico, a milhares de quilômetros de distância. Nem se havia alguma diferença entre as duas idéias. Talvez tudo fosse uma questão de como encarar o assunto.
Ele olhou para o caminho bifurcado à sua frente.
- Que caminho devo escolher? Qual deles é seguro?
- Escolha um, e você não vai poder escolher o outro. Mas nenhum deles é seguro. Que caminho você percorreria... o das verdades duras ou o das boas mentiras?
- O das verdades. Eu já cheguei longe demais pra querer mais mentiras. Ela parecia triste.
- Você vai ter que pagar um preço, então.
- Eu pago. O preço que for.
- Seu nome - ela disse. - Seu nome verdadeiro. Vai ter que entregar pra mim.
- Como?
- Assim - ela disse.
Esticou uma das mãos em direção à sua cabeça. Ele sentiu seus dedos aca­riciarem sua pele, depois os sentiu penetrar seu corpo, sua caveira, sentiu-os entrando bem no fundo da cabeça. Sentiu cócegas dentro da cabeça e pela espi­nha. Ela tirou a mão. Uma chama, como a chama de uma vela, mas queimando com um branco de magnésio claro, cintilava na ponta do seu indicador.
- Isso aí é o meu nome? - ele perguntou. Ela fechou a mão, e a luz se apagou.
-Era.

quarta-feira, 12 de março de 2008

quinta-feira, 6 de março de 2008

Vestiram a arte> Puritanismo barato


Fanático por charges, me indignei acerca da falta de vergonha que o fotolog.com, descaradamente, aplicou uma censura contra os desenhos do artista Tulio Carapiá, postados neste site. Segundo eles, tratavam de imagens de conteúdo erótico, que deviam ser tirados do ar.

Em entrevista ao Caderno Dez, do Jornal A Tarde ele manifesta sua indignação:


"Eu não recebi nenhum comunicado. No outro dia estava fora do ar", conta Túlio. "Eu acho que foi por causa desse desenho, na verdade tenho certeza. Eles tiram do ar sem avisar, apagam tudo e pronto. E o desenho nao precisa ser pornográfico. Achei o meu bem tranquilo", completa.


Esta não é a primeira vez que eles armam este ataque contra artes "pornográficas". Vítimas, como Nei Lima, Geraldo Roberto, dentre outros, foram alvos de uma censura cara- de- pau.


"Antigamente eles eram mais maleáveis, muito mais maleáveis, na verdade. Mas agora estão vinculados ao google, ai... a coisa ficou meio estranha, eles cortam fora mesmo", reclama Túlio.


Aí fica o esclarecimento: até que ponto a liberdade em expressar sua arte e opiniões é garantida? A arte é "digna" de censura? Até que ponto posso escrever, até que assunto?

Enquanto escrevo, penso em um plano B, só por precaução, caso seja mais um perseguido pela "liberdade de expressão"; liberdade que é tirada como se tira um doce de uma criança.





Essas mãos> Eu e a divindade fabricada e descontrolada> fé e algo mais que mãos estendidas


As mãos que tentam alcançar algo indolor.


Algo abstrato, inexistente, mas que para amenizar a dor das inumeras perdas, cria- se um mundo onde a fé é valida e concreta.


Fé... o que é basicamente um estado de fé?

Associamos esse nome a um emaranhado de situações nas quais o ser humano dá espaço pra suas divindades. Sim, divindades; deuses criados por nós, e por acabar perdendo o controle perante sua criação, atribuímos a eles a superioridade acima de nossa condição frágil.


Encaixamos nesses deuses aquilo que gostaríamos de ser. Nossos desejos de viver eternamente, nossos vícios de acharmos que é melhor viver sem erros. O Deus Todo- Poderoso, possuidor de todos os direitos em LETRAS MAIÚSCULAS.


E as mãos continuam a clamar ao desconhecido por um socorro.


Talvez por não concordar que é capaz de virar as páginas de sua vida sozinho. Por não querer aceitar que seus milagres são constituídos por seus próprios esforços. E este medo deriva da consciência de que para realizar milagres é necessario derramar suor, e derramar suor para muitos é maldição, castigo que Deus deu a Adão por este preferir ser livre e pecador a ser imortal, apático e submisso às suas verdades pré- fabricadas. Adão alcançou sua fé. Se libertou; despencou suas mãos, antes atadas, e continuou sua história. Uma história misturada a sangue e suor; a dores, alegrias e prazeres. Filhos, netos, bisnetos e mais despesas. Mas era sua vida, só sua e de mais nenhum deus.


Bom, para alguns este texto pode soar como lamentações de um pobre coitado que perdeu sua fé fraca; talvez uma fé solúvel. Para outros, é mais um texto que revela quem eu realmente sou, depois de aprender com os erros, meus amigos erros. Para mim, é algo que boto pra fora e me dá mais fé. A fé que sempre sonhei e que agora me revelam que tudo depende de minhas mãos que, antes elevadas na maior das necessidades, estão agora despencadas em direção ao chão firme e quente.


E as mãos continuam clamando.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Grande Humberto


Crônica


Já não passa nenhum carro por aqui

Já não passa nenhum filme na tv

Você enrola outro cigarro por aí

e não dá bola pro que vai acontecer

mais um pouco e mais um século termina

mais um louco pede troco na esquina

tudo isso já faz parte da rotina

e a rotina já faz parte de você

você que tem idéias tão modernas

é o mesmo homem que vivia nas cavernas

todo mundo já tomou a coca-cola

a coca-cola já tomou conta da china

todo cara luta por uma menina

e a palestina luta pra sobreviver

a cidade, cada vez mais violenta(tipo chicago nos anos quarenta)

e você, cada vez mais violento

no seu apartamento ninguém fala com você

você que tem idéias tão modernas

é o mesmo homem que vivia nas cavernas.

Velho Chico


Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar...

terça-feira, 4 de março de 2008

O ovo e a galinha, a galinha do seu ovo, o ovo que come a galinha, etc... Clarice e Aristóteles endoidam um...


"Ver o ovo é impossível: o ovo é supervisível como há sons supersônicos. Ninguém é capaz de ver o ovo. O cão vê o ovo? Só as máquinas vêem o ovo. O guindaste vê o ovo. – Quando eu era antiga um ovo pousou no meu ombro. – O amor pelo ovo também não se sente. O amor pelo ovo é supersensível. A gente não sabe que ama o ovo. – Quando eu era antiga fui depositária do ovo e caminhei de leve para não entornar o silêncio do ovo. Quando morri, tiraram de mim o ovo com cuidado. Ainda estava vivo. – Só quem visse o mundo veria o ovo. Como o mundo o ovo é óbvio."


Vai saber o que Clarice LInspector quis dizer com este texto que foi minha tormenta para os estudos pré- vestibulares.


Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
Acredito que este seja um dos questionamentos mais paradigmáticos dos nossos tempos, a mãe de todas as especulações.
Segundo Aristóteles, a galinha tem primazia sobre o ovo. A origem desta radical tomada de posição aristotélica em favor da galinha acha-se na distinção do ser em potência e ato, íntima de Aristóteles. Entre o ser em estado acabado, o ser em ato, e o puro não-ser, tende-se a um intermediário, o ser em potência, que já pertence ao real sem estar ainda perfeitamente realizado. As mudanças e movimentos explicam-se dizendo que são a passagem do ser em potência ao ser em ato. Portanto, a galinha é anterior ao ovo.
Eu, infelizmente, preciso discordar do meu caro amigo Aristóteles. Na minha opinião, o ovo é anterior à galinha.
E a minha explicação é bem mais simples: na era dos dinossauros já existiam ovos. E nada de galinhas.
Mas, para manter viva esta especulação milenar, sugiro que, a partir de hoje, o questionamento seja reformulado para:
“Quem nasceu primeiro: o ovo DA GALINHA ou a galinha?
Aí são outros 500...

O ovo e a galinha, a galinha do seu ovo, o ovo que come a galinha, etc...

Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
Acredito que este seja um dos questionamentos mais paradigmáticos dos nossos tempos, a mãe de todas as especulações.
Segundo Aristóteles, a galinha tem primazia sobre o ovo. A origem desta radical tomada de posição aristotélica em favor da galinha acha-se na distinção do ser em potência e ato, íntima de Aristóteles. Entre o ser em estado acabado, o ser em ato, e o puro não-ser, tende-se a um intermediário, o ser em potência, que já pertence ao real sem estar ainda perfeitamente realizado. As mudanças e movimentos explicam-se dizendo que são a passagem do ser em potência ao ser em ato. Portanto, a galinha é anterior ao ovo.
Eu, infelizmente, preciso discordar do meu caro amigo Aristóteles. Na minha opinião, o ovo é anterior à galinha.
E a minha explicação é bem mais simples: na era dos dinossauros já existiam ovos. E nada de galinhas.
Mas, para manter viva esta especulação milenar, sugiro que, a partir de hoje, o questionamento seja reformulado para:
“Quem nasceu primeiro: o ovo DA GALINHA ou a galinha?‿.
Aí são outros 500...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Comparações > visibilidade na sinaleira.

É estranho fazer comparações; realmente me sinto cada dia estranho pelo simples vícios de fazer comparações e, na maioria das vezes, comparo meus atos com os de outras pessoas. Não é uma crise messiânica, elevando meu ego a considerar melhor que os outros indivíduos. É a necessidade de ver até onde eu errei na vida.
Esses vícios ficam latentes quando vou todos os dias ao trabalho, quando tomo os mesmos caminhos e estes alimentam meu auto-ódio. O fato de observar a realidade tão presente e livre das utopias, me angustia e me faz comparar entre o eu ideal e o eu atual. Aquelas crianças na rua fazendo o "diabo a quatro" nas sinaleiras me incomodam. Queria que elas saissem do meu caminho. Mas é realidade, como mudar?
Seria eu especial, messianico e com os poderes do senso de justiça libertá-los da maldade de as punem? Não, não nada é especial e meus juízos baseados na filosofia esquerdista-revolucionaria tremem quando percebo que~ainda não fiz nada por elas.