sábado, 20 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
As 4 Paredes de Marisa que vi e ouvi hoje
Quatro Paredes
Marisa Monte
Eu só não te convido pra dançar
Porque eu quero encontrar com você em particular
Há tempos tento encontrar um bom momento
Alguma ocasião propícia
Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus
Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus
Procuro explicar o meu sentimento
E só consigo encontrar
Palavras que não existem no dicionário
Você podia entender meu vocabulário
Decifrar meus sinais, seria bom
Eu só não te convido pra dançar
Porque o assunto que eu quero contigo é em particular
Há tempos tento encontrar um bom momento
Alguma ocasião propícia
Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus
Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus
Procuro explicar o meu sentimento
E só consigo encontrar
Palavras que não existem no dicionário
Você podia entender meu vocabulário
Decifrar meus sinais, seria bom
domingo, 14 de setembro de 2008
Liberdade, Interação e Liberdade

Liberdade Marcelo Camelo
Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um domDaqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares
Vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar eu vou
É Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
De que vale ser aqui
De que vale ser aqui
Onde a vida é de sonhar?
Liberdade
domingo, 7 de setembro de 2008

Os outros componentes hermânicos dão espaço para o vanguardismo Hurtmold, contemplado nos arranjos das músicas “Mais tarde” e "Tudo passa".
As músicas do álbum "Sóu" (ou nós, lido na ordem inversa) podem ser encontradas neste link:
http://callback.terra.com.br/marcelocame
Confira a letra da música "Doce Solidão", interpretada numa voz e sentimentalismo próprio do Marcelo.
Posso estar só
Mas sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah nem, ah não, ah nem dá
Solidão foge que eu te encontro
Que eu já tenho asas
Isso lá é bom?!
Doce solidão
Doce Solidão - Marcelo Camelo :
sábado, 6 de setembro de 2008
O 05 de outubro e o discusso de Charlis Chaplin (O Grande Ditador)
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos. "
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Pérolas do Enem
“…Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigênio….”
Comentário: Antes de ter inventado, ele respirava o que mesmo?
“… A harpa é uma asa que toca…”
Comentário: Imagine a definição para Trombone de Vara…
“… O vento é uma imensa quantidade de ar….”
Comentário: O sobrinho de 3 anos, de um amigo meu também pensava isso quando tinha 2.
“…O terremoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas…”
Comentário: Logo….em terras cultivadas não se registram movimentos/tremores?!
“…Os egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor….”
Comentário: Uau! Nisso nem Von Daniken pensou!
“…Péricles foi o principal ditador da democracia grega….”
Comentário: Isso. E Stalin foi o principal seguidor de Mahatma Ghandi…
“…O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de necessidades….”
Comentário: Claro! Eliminem as ‘necessidades’ do terceiro mundo e os problemas desaparecerão!
“…O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes se afogavam dentro d’água….”
Comentário: Sim, por isto o Petróleo é preto. Está de luto pela morte dos pobres peixinhos…
“…A principal função da raiz é se enterrar…”
Comentário: este pensamento deu origem à série de TV “A Sete Palmos”.
“… A igreja, ultimamente, vem perdendo muita clientela….”
Comentário: Mentira! Está ela cada vez mais rica!
“…O sol nos dá luz, calor e turistas….”
Comentário: Esse com certeza vive do Sol.
“…As aves tem na boca um dente chamado bico….”
Comentário: É, e os homens têm uma ‘arcada bicária’.
“…A unidade de força é o Newton, que significa a força que se tem que realizar em um metro da unidade de tempo, no sentido contrário….”
Comentário:
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
I don't want clever conversation
Eu não quero uma conversa interessante
don't want to work that hard
Eu não quero trabalhar tão duro assim
I just want some someone to talk to
Eu só quero alguém para conversar
I want you just the way you are.
Eu te quero do jeito que você é
Clip da música, interpretado pela jazzista Diana Krall.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Ei, qual é o seu nome?
Ele olhou para o caminho bifurcado à sua frente.
- Que caminho devo escolher? Qual deles é seguro?
- Escolha um, e você não vai poder escolher o outro. Mas nenhum deles é seguro. Que caminho você percorreria... o das verdades duras ou o das boas mentiras?
- O das verdades. Eu já cheguei longe demais pra querer mais mentiras. Ele parecia triste.
- Você vai ter que pagar um preço, então.
- Eu pago. O preço que for.
- Seu nome - ela disse. - Seu nome verdadeiro. Vai ter que entregar pra mim.
- Como?
- Assim - ela disse.
Esticou uma das mãos em direção à sua cabeça. Ele sentiu seus dedos acariciarem sua pele, depois os sentiu penetrar seu corpo, sua caveira, sentiu-os entrando bem no fundo da cabeça. Sentiu cócegas dentro da cabeça e pela espinha. Ela tirou a mão. Uma chama, como a chama de uma vela, mas queimando com um branco de magnésio claro, cintilava na ponta do seu indicador.
- Isso aí é o meu nome? - ele perguntou. Ela fechou a mão, e a luz se apagou.
-Era.
Empatia por Sra. Lispector

Dá-me a tua mão
De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.
*********
Queria a resposta agora, desejava antes de digitar isso. Mas é tolice... que graça teria se as respostas estivessem prontas? O que seria do indivíduo, cuja existencia está alicerçada em especulações sobre a sua vida, se obtivesse interpretações pré-fabricadas?
Essa busca cega que Clarice relata, me faz lembrar do quanto busquei determinados princípios. Não, ainda não encontrei; se já, fui displicente e deixe escapar. Mas naqueles espaços que dividem os dois grãos de tempo, passado e futuro, existem aquele presente, onde vivo aquela inconstância momentânea.
sábado, 30 de agosto de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Into the Wind

segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Rompimento

******
Ontem, observando o pôr- do- sol no alto da cidade, fazia muito frio. Com goles de uma bebida quente acabei me pegando em alguns equívocos. Imaginava um futuro alternativo (mas quem não faz isso?) e angustiava com tudo isso. Creio que essas reações presentes sejam frutos de uma circunstância pessoal, incompreendida por mim mesmo, às vezes. Mas é um fato.
Só posso dizer que eu tenho a alternativa de arrancar o galho quebrado, mesmo que ele pareça estar saudável... Este galho são todos aqueles desejos de outrora, e aqueles que fluem ainda em mim. No entanto, volto a lembrar da minha infância, quando acreditei que deixando ele ali tudo ficaria bem, o que resultou na morte daquela planta. Por que o homem acaba remoendo lembranças da infancia para comparar com a realidade presente? Eu sou assim; várias vezes nunca me cansando disso, como um tolo, repetindo e repetindo a única coisa que sabe fazer, sendo assim, incapaz de romper aquilo que permite uma estabilidade.
domingo, 24 de agosto de 2008
Orquestra Imperial: Não foi em Vão (ao vivo no projeto virada cultural)
"Agora posso ir e não olhar pra trás, passado tudo aquilo que se desfaz. foi bom viver mais uma vez..."
sábado, 23 de agosto de 2008

Vivo em escuridão da alma, e o coração pulsando, sôfrego pelas futuras batidas que não podem parar". Clarice Linspector.
Clover
Bom, pães e mel posso encontrar em qualquer lugar. E os trevos de quatro folhas? Qual é a felicidade maior: receber uma sorte quando se encontra o trevo, ou o fato de encontrar algo tão difícil como ele?
Ei, seria eu capaz de chorar por algo encontrado?
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo
Como vai você? levo assim, calado
de lado do que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar
poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade morena
e é tudo que vale a pena
quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pode nos inundar
Com o seu rosto azul
Porém não consegue nos separar
Porque o amor respira sobre o mar
O ar pode nos ressecar
Pode nos carregar
Com o seu vento sul
Porém não consegue nos apagar
Porque o amor aumenta com o ar
Sempre que estiver à noite a chorar
Saiba que estarei aqui
Seco a água de seu pranto a soprar
Não demoras a sorrir
Se o vento é de levar
O mar é de trazer
De volta o que se vai
E a onda quer devolver
O amor de eu e você."
Ela e o gato: seus pontos de vista.
Essa semana reassisti um curta, chamado Ela e seu gato (kanojo to kanojo no neko). Desenvolvido pelo diretor Makoto Shinkai, esta animação de apenas cinco minutos de duração retrata o dilema de uma garota apartir dos simples e pequenos pontos de vista de seu hóspede, um gato.
A narração vai levando o expectador a observar o amor nutrido do gato por sua dona e a angústia deste não conseguir compreender os sentimentos humanos. É uma história que retrata o amor na sua forma mais pura e simples, sem esperar nada em troca; apenas dois confidentes que dividem juntos a solidão de suas vidas.
Falar sobre as obras de Makoto Shinkai é acrescentar seus trabalhos com fotografias, um recurso que ele utiliza para tirar preciosidades nas coisas mais simples. Sinceramente, "Ela e seu gato: seus diferentes pontos de vista" é uma obra prima de difícil compreensão se for vista do alto; na verdade, é um toque genioso de um poeta que, de uma forma comovente, pueril e externamente simples, explica algo tão complexo como são os sentimentos humanos. Veja abaixo o curta:
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Olimpíadas Stalinistas, digo "comunistas": a dublagem e a (o)pressão.

Não tanto pela necessidade de demonstrar ser "do contra"; opiniões ultrapassam meros rótulos. O fato de demonstrar uma opinião acerca dos eventos que estacionam a mente do mundo é algo que deve ao menos ser lido, para concordar ou repudiar.
Simbolos valem mais que mil palavras, às vezes; charges, muito mais. Sobretudo, aquelas censuradas pela mídia, ou pelo governo o qual é atacado por elas.
Esta mostra, sem dúvida, a opinião do chargista acerca das Olímpiadas em Pequim. Uma China que mata a dignidade de seus cidadãos e em troca abre as portas para o lucro que recebe por meio do evento "esportivo" . Uma republica que se reivindica comunista, haha... comunista. Trotski sabe muito bem do que estou rindo.
O que mais me impressionou, e considerei incrivel (não no aspecto maravilhoso da palavra, mas sim pela situação lamentável) foi a tentativa de "maquiar" os componentes do evento olímpico, como foi o caso da criança Yang Peiyi, uma chinesinha de sete anos,dona de grande voz, mas que não tinha os atributos corporais para se apresentar num evento tao importante (só por ser fofinha)... o que fizeram?foi substituida pela Lin Miaoke, uma garotinha de nove anos, que subiu ao palco e meramente mecheu seus lábios, dublando algo que não era seu. As crianças são culpadas?
Outros alvos e iscas daqueles que nos trazem grande alegria patriótica ( 5 de outubro é o dia de provar se somos patrióticos. Não, não é dia de Copa do Mundo) são, claro, os próprios atletas; e a nossa mãe Globo é a grande incentivadora para que esses cometam seus suicidios psicólogicos quando são pressionados a darem o melhor de si, mesmo quando dão passos maiores que suas pernas, metafóra e literalmente falando.
Bom, não sei se fui claro acerca de tudo isso que está acontecendo a nível mundial. Sonhos de crianças são fragilizados por substituições e dublagens; atletas vendem sua força de trabalho em troca de uma medalha burguesa (Marx explica); ativistas são abordados e repreendidos brutalmente fora das lentes televisivas; a censura é propagada vergonhosamente contra a liberdade de informação. Sim, eu sei, as olimpíadas continuarão acontecendo; não iria parar por que expressamos uma opinião contrária à forma como o esporte é retratado diante dela. Mas não me ponha na cabeça que este é um país de ideais comunistas; não sou otário e peço que tambem não sejam.
E as charges que virão com certeza hão de explicar melhor o que vemos na TV.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
1 Litro de Lágrimas.
" Por que esta doença me escolheu?" " Mãe, qual a razão da minha existencia?" "Quando penso no futuro, não consigo evitar de chorar."
Frases como essas fluem da mente da protagonista que, aos poucos, dá-se conta de que sua vida perde, de fato, toda a sua liberdade diante do espaço que a cerca. Assim como o filme "O Óleo de Lorenzo", que se desenvolve numa trama semelhante, este drama se baseia no "penso, logo existo."
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Em torno disso penso o que vem a ser "1 litro de lágrimas"? Talvez, além de ser um drama televisionado onde após atuarem, os atores saem de cena e vivem sua vida real, esta novela retrata algo que sentimos e se encontra em movimento em torno de nós. Apesar das dores, tocar em frente foi o sentido para Aya, e para Lorenzo também. Ambos que, por mais que tiveram seus corpos desintegrados, continuaram permitindo as suas mentes vivas em torno de um único ideal que era propagar a continuidade de sua existência.
Em meio ao sacrifício de encarar o medo acerca da dor, me propuz a assistir; assistir e aprender. Aprendi com Aya Kito que, às vezes, o reconhecimento do valor da vida se dá por meio de momentos dolorosos. Talvez ela tenha encontrado respostas às perguntas que havia feito anteriormente. E sei que mais tarde encontrarei respostas para as minhas.
"O fato de eu estar viva é uma coisa tão encantadora e maravilhosa que me faz querer viver mais e mais."
domingo, 1 de junho de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Do Outro Lado do Rio (Al otro lado del rio)
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.
O dia vai vencer aos poucos o frio
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.
Principalmente acredito que nem tudo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
E eu sou um copo vazio.
Ouço uma voz que me chama... quase um suspiro
Rema, rema, rema.
Nesta margem do mundo
Oque não é represa é baldio
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.
Eu, muito sério, vou remando
E bem lá dentro, sorrio
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.
Principalmente acredito que nem tudo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
E eu sou um copo vazio.
Ouço uma voz que me chama... quase um suspiro
Rema, rema, rema.
Finco o meu remo na água levo o teu remo no meu
Acredito ter visto uma luz ao outro lado do rio.
sábado, 10 de maio de 2008
Humanos (In)secretos
quinta-feira, 1 de maio de 2008
No Paulistão...
terça-feira, 22 de abril de 2008
Pontos de Vista : "O Velho e o Moço."

De onde eu estava pensei que ele apenas alimentava os pombos como um mero passatempo. Jogou, pois, mais um punhado de alpiste, e sorriu. Tal expressão de afeto, ou não, me deixou transtornado. Não me perguntem por que, uma vez que sentimentos não são explicados, por isso minha crise diante deles.
Enfim o velho notou minha presença e me convidou para sentar próximo a ele, como quem queria iniciar algum diálogo. Não possuia, e não possuo, o hábito de conversar com idosos; talvez por não preferir as dicas pré- fabricadas de sobrevivência daqueles que há muito tempo permanecem em vida. Tive o receio, mas minha ânsia falou mais forte e me aproximei.
O calor da tarde deu espaço para que sentisse um frio psicológico; passei a notar a melancolia enrugada naquele rosto esculpido pelo tempo e pelas ausências que experimentara. Sentado no banco da praça, lá estava ele e eu: dois pontos de vista diferentes sobre o mundo, encarnados em contextos diferentes.
Ele possuia um semblante sofrido, angustiado, como se a dura realidade fosse sua mãe por um bom tempo; ou talvez algo que ele esculpiu à sua imagem e semelhança. Talvez não tenha sido um bom filho, um bom pai, um bom avô, e tenha recebido como castigo dos céus a essência opaca, e a observá- la naquele lugar.
Não conversamos nada, apenas observàvamos os pombos. Passei a me enxergar nele e ver séries de futuros alternativos; ele me olhava e tinha sensações nostálgicas, de tentar alcançar a juventude esquecida. O velho e o moço.
Voltando à realidade, imaginei que nada mais existia além de pombos, alpiste e duas sombras esquecidas no meio do outono.
domingo, 20 de abril de 2008
Além do desespero, o saudosismo.

sábado, 19 de abril de 2008
Você pode abrir meu peito e com uma faca cortar meu coração
Mesmo que eu não tenha percebido
Suas desculpas e incertezas
Algum dia eu odiarei alguém assim outra vez?
Nesse caso, então lhe abraçarei cada vez mais
E você poderá perfurar meu coração como um estilhaço
Contanto que eu possa permanecer eternamente em suas memórias.
Devaneios em um bar

A musica o envolvia; era somente ela e aquele sentimento de desapego que envolvia seu ser. A xícara com o resto de café esquecido pendia na ponta da mesa, numa tentativa de suicídio. Ele não se importava mais, senão com aquela canção que emanava daquele jukebox, preenchendo a essência daquele bar.
Recostado na mesa nada mais lhe importava; seus contos inacabados em folhas sujas de um caderno velho ganhava influencia daquela canção, triste cúmplice da perda que sofrera naquele verão.
Aquele universo, meramente paralelo, entre contatos triviais, típico dos jovens da época, fazia dele amante daquela caixa que Pandora um dia lhe presenteara. Dejà vus constantes eram frutos daquela sensação perdurante.
Futare no Kage era seu nome; o nome da triste canção que o fez sorrir com o rosto sobre a mesa, enquanto lembrava daquela mulher que um dia o amou, mas preferiu cair nos braços da dama morte.

Humanidade.
A criação que cria.
A criação que pensa.
A criação apegada e desapegada simultaneamente ao seu "criador".
A criação distorcida, inacabada, pragmática.
A criação dúbia e contraditória; autêntica e hipócrita.
A criação que cria religiões para sobreviver , e finaliza sua existência num cemitério de cruzes.
A criação que cria deuses a fim de afogar suas crises num mundo caótico.
A criação divina.
A divindade que foi criada.
A criatura que questiona.
A criação que não se responde.
Liberdade... sentimento materializado utopicamente na lança cravada no peito do subversivo crucificado. Assim como o amargor excitante do café, arrancou dolorosamente os pregos que lhe prendiam naquele madeiro; despencou e sentiu que o chão, o qual lhe convidava a caminhar independentemente.
A luz vinda do horizonte no fim da madrugada cegava os olhos daquele cuja vida estava moribunda em crenças triviais. E naquele momento, descobriu que sua fé é tão solúvel e amarga quanto aquele café.
sexta-feira, 14 de março de 2008
Ele olhou para o caminho bifurcado à sua frente.
- Que caminho devo escolher? Qual deles é seguro?
- Escolha um, e você não vai poder escolher o outro. Mas nenhum deles é seguro. Que caminho você percorreria... o das verdades duras ou o das boas mentiras?
- O das verdades. Eu já cheguei longe demais pra querer mais mentiras. Ela parecia triste.
- Você vai ter que pagar um preço, então.
- Eu pago. O preço que for.
- Seu nome - ela disse. - Seu nome verdadeiro. Vai ter que entregar pra mim.
- Como?
- Assim - ela disse.
Esticou uma das mãos em direção à sua cabeça. Ele sentiu seus dedos acariciarem sua pele, depois os sentiu penetrar seu corpo, sua caveira, sentiu-os entrando bem no fundo da cabeça. Sentiu cócegas dentro da cabeça e pela espinha. Ela tirou a mão. Uma chama, como a chama de uma vela, mas queimando com um branco de magnésio claro, cintilava na ponta do seu indicador.
- Isso aí é o meu nome? - ele perguntou. Ela fechou a mão, e a luz se apagou.
-Era.
quarta-feira, 12 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Vestiram a arte> Puritanismo barato

Essas mãos> Eu e a divindade fabricada e descontrolada> fé e algo mais que mãos estendidas

quarta-feira, 5 de março de 2008
Grande Humberto

Velho Chico

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar...
terça-feira, 4 de março de 2008
O ovo e a galinha, a galinha do seu ovo, o ovo que come a galinha, etc... Clarice e Aristóteles endoidam um...

Acredito que este seja um dos questionamentos mais paradigmáticos dos nossos tempos, a mãe de todas as especulações.
Segundo Aristóteles, a galinha tem primazia sobre o ovo. A origem desta radical tomada de posição aristotélica em favor da galinha acha-se na distinção do ser em potência e ato, íntima de Aristóteles. Entre o ser em estado acabado, o ser em ato, e o puro não-ser, tende-se a um intermediário, o ser em potência, que já pertence ao real sem estar ainda perfeitamente realizado. As mudanças e movimentos explicam-se dizendo que são a passagem do ser em potência ao ser em ato. Portanto, a galinha é anterior ao ovo.
Eu, infelizmente, preciso discordar do meu caro amigo Aristóteles. Na minha opinião, o ovo é anterior à galinha.
E a minha explicação é bem mais simples: na era dos dinossauros já existiam ovos. E nada de galinhas.
Mas, para manter viva esta especulação milenar, sugiro que, a partir de hoje, o questionamento seja reformulado para:
“Quem nasceu primeiro: o ovo DA GALINHA ou a galinha?
Aí são outros 500...
O ovo e a galinha, a galinha do seu ovo, o ovo que come a galinha, etc...
Acredito que este seja um dos questionamentos mais paradigmáticos dos nossos tempos, a mãe de todas as especulações.
Segundo Aristóteles, a galinha tem primazia sobre o ovo. A origem desta radical tomada de posição aristotélica em favor da galinha acha-se na distinção do ser em potência e ato, íntima de Aristóteles. Entre o ser em estado acabado, o ser em ato, e o puro não-ser, tende-se a um intermediário, o ser em potência, que já pertence ao real sem estar ainda perfeitamente realizado. As mudanças e movimentos explicam-se dizendo que são a passagem do ser em potência ao ser em ato. Portanto, a galinha é anterior ao ovo.
Eu, infelizmente, preciso discordar do meu caro amigo Aristóteles. Na minha opinião, o ovo é anterior à galinha.
E a minha explicação é bem mais simples: na era dos dinossauros já existiam ovos. E nada de galinhas.
Mas, para manter viva esta especulação milenar, sugiro que, a partir de hoje, o questionamento seja reformulado para:
“Quem nasceu primeiro: o ovo DA GALINHA ou a galinha?‿.
Aí são outros 500...


