segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Discutindo cinema : Tabu


Já se passou um bom tempo, desde que prometi produzir um comentário acerca do filme Tabu (Twelhead/Nothing is private). Devido aos contratempos (universidade, trabalho, vagabundagem e preguiça), acabei emperrando o mesmo, deixando sempre pra mais tarde.

Bem, justificativas à parte, venho dizer que o filme é uma visão acerca das descobertas da sexualidade, para uma adolescente e seus conflitos com uma educação moralista. O filme, baseado no romance polêmico da Alicia Erian, narra o drama de Jasira, uma garota que chega ao fim da infância, batendo às portas da adolescência; o contexto do filme gira em torno do período de guerra no Iraque, onde a garota mora com a mãe americana (interpretada pela atriz Maria Bello) e seu futuro padastro que possui um encantamento pelo amadurecimento precoce da adolescente, sobretudo nos aspectos hormonais. Diante de um desentendimento, a própria mãe entrega a guarda da filha ao pai (interpretado pelo Peter Macdissi), um rígido libanês que reside no Texas. Jasira passam então, a viver diante às regras opressoras da figura paterna, apoiadas nos valores morais da religião mulçumana.

Perante tal convivência, a personagem não encontra uma educação voltada à sua sexualidade, nem como entender tais descobertas voltas às pulsões sexuais, ao seu corpo e como lidar com ele. Uma garota ingênua, muito bem interpretada pela atriz Summer Bishil, dentro de um corpo de mulher, o qual chama atenção de homens, dentre eles o seu vizinho, um soldado da marinha. Faz parte do elenco, também, a atriz Toni Collete, que mantém o papel de uma dona de casa, em gestação, que se oferece como porto seguro para a Jasira.

O filme de desenrola entre conflitos que afligem a garota, seja na escola, através de insultos e agressões, verbais e físicas, sofrida pelos outros colegas, devido a sua origem étnica (por isso o nome Towelhead, tumbante); conflitos gerados no convívio entre ela e seu próprio pai, onde ela passa por um processo de abandono dos costumes liberais, para uma vida voltada à dominação masculina, dentro da própria casa; e consigo mesma, onde ela não consegue lidar com transformações em sua vida, com seus compulsivos sentimentos sexuais pelo vizinho (interpretado pelo ator Aaron Eckhart), e a descoberta do amor.

Em minha opinião, um filme interessante. O espectador se prende ao dilema da garota Jasira; a interpretação da atriz proporciona uma empatia com o sofrimento da garota e seu medo diante da figura paterna. O filme contém um roteiro simples, direto. A conjuntura na qual o filme se apega retrata conflitos étnicos, bem representados pelos atores, sobretudo o clima tenso entre o pai da garota, mulçumano, e o seu vizinho que sempre aponta os mulçumanos como terroristas (há um momento do filme em que o personagem do Peter Macdissi procura mostrar maior patriotismo que o próprio vizinho, que é natural dos Estados Unidos). Algumas cenas norteiam, na minha interpretação, a sinais de dominação norte-americana para com outros povos, conforme a cena do contato íntimo entre o vizinho militar e Jasira.

Enfim, é um filme que vale a pena conferir. Depois do clássico de Stanley Kubrick, Lolita, é um filme que indico. Garimpar este filme na locadora me proporcionou um bom momento; gostei, valeu à pena. Deu vontade de assistir novamente rsrsrs. Enfim, tenham acesso e tirem suas próprias conclusões.


Trailer do filme:


terça-feira, 27 de julho de 2010

Encerrando meu acordar, na madrugada, uivando o meu pavoneio de um vira-lata.

"No meio do caminho tinha uma pedra ...




... tinha uma pedra no meio do caminho." (Drummond). E essa mesma pedra, que poderia juntar-se à coleção para fazer meu castelo, joguei no lago, por onde caminhava em suas margens.

Há tantas pedras, quanto há pessoas neste mundo; e sentado numa pedra, tomei um longo gole de rum. Por um segundo, não senti o frio gelado, mas uma onda de calor, inebriante e viciada, que tomava conta de mim.

Frio... sensação que suplica um aquecer. Calor, sentimento resultado de um aconchego. Saimos do útero quente, para sentir o cortante frio, do mundo exterior. De um calor materno o homem se liberta, para abraçar o mundo frio, e para decidir em qual temperatura manterá seu coração.

De tantas pedras que lancei, de tantos goles de inebriei, calores e frios que senti, fiz de minha vida uma travessia para outra margem.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Só mesmoo bom David Gilmour para me trazer uma canção introspectiva. Chama-se "Smile", de seu álbum solo "On an island":

Smile

Would this do to make it all right
While sleep has taken you where I'm out of sight
I'll make my getaway
Time on my own
Search for a better way
To find my way home to your smile

Wasting days and days on this fight
Always down, and up half the night
Hopeless to reminisce through the dark hours
We'll only sacrifice what time will allow us
You're sighing...

All alone though you're right here
Now it's time to go from your sad stare
Make my getaway
Time on my own
Leaving's a better way
To find my way home to your smile

Tradução

Isso faria tudo ficar bem?
Enquanto o sono toma conta de você e eu estou fora da sua vista?

Eu farei minha partida
Escolherei minha própria hora
Procurarei a melhor forma
De achar o caminho para casa, para o seu sorriso

Gastando dias e dias, nessa briga
Sempre pra baixo, mas alegre metade da noite
Sem esperanças ao se entregar às lembranças através das horas negras
Nós só sacrificaremos o que o tempo nos permitir
Você está... suspirando, suspirando

Totalmente sozinho, embora você esteja bem aqui
Agora é a hora de sair desse seu triste olhar penetrante

Ir embora
Escolher à minha própria maneira
Partir é a melhor forma
De achar o caminho para casa, para o seu sorriso


Anyway...

Mais uma vez, depois de mais um longo tempo de abandono, retorno a este blog. A necessidade de por para fora o que lhe vem em mente é forte em qualquer indivíduo; no meu caso, esta é tensa, e intensa. Adjetivos próprios do substantivo “necessidade”.
No entanto, desde ontem pensava e pensava em que deveria postar. E postei um poema de Brecht.

Num emaranhado de (in) satisfação, não encontrava um ponto de partida (típico daqueles que são agitados e que se perdem no momento em que se entregam à calmaria), e me encontrei diante dum blog que havia “perdido” a sua identidade. Tenso, passei tempo no twitter, gastando 140 caracteres com distrações.

Voltei ao blog.

Mudei o layout. Ficou até bonito.

Olhei pra ele, ele me olhou... E pensei em mudar o título, o qual há muito tempo permanece. Mas o mesmo dito cujo me deu luz.

“A fera que gritou no coração do mundo”; título que não é de autoria minha, e sim do episódio final do anime Neon Genesis Evangelion. Título que soa como um despertar humano. Gritos são manifestações e estes, em sua maioria, são desorganizados, aleatórios (peça a uma multidão de crianças para que gritem seus nomes de uma só vez), e com significado. Gritamos por dor, raiva, prazer, felicidade, desespero, euforia, glória. E, percebe-se que, após gritarmos, berrarmos, urrarmos, o sossego nos domina, e nos mantemos com os pés fixos ao chão.

E encontramos tudo isso na literatura, no cinema, na música, no humor, nas filosofias de boteco, nas nossas reflexões acerca da vida, da política, das contradições religiosas. Homens e mulheres: feras que berraram, gritaram e se transcenderam. Sim, gritar é transcender-se.

Enfim, percebi que o blog não perdeu o seu ponto de partida. Ele está aí, como um espaço onde continuarei a manifestar minhas reflexões, gritos internos. Não possuirá, assim como nunca possuiu, um tema exclusivo. Política, música, cinema, viagens (esta, há muito tempo adiada): minhas paixões. Como todo grito, elas fluirão aleatoriamente.

“Se há direito ao grito, então eu grito.”

- Clarice Lispector.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Brecht


Não aceiteis o que é hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbritariedade
consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Hoje, ouvi a amarga notícia de mais uma das variadas faces da violência: a morte de uma criança, sequestrada há semanas. No momento, não me lembro de seu nome, nem sua idade (que parecia estar em seus 9 ou 10 anos. creio que menos); apenas me perco diante de uma avalanche de selvageria entre a forma de vida mais "civilizada". As teorias de que o homem é capaz de tirar a vida de outro em prol de sua sobrevivência, são substituídas pela justificativa de que o homem apenas mata por prazer.
Aquele que tirou a vida desta criança, incapaz de proporcionar perigo a alguém, é mais um dos autores de inúmeros atos insadecidos e macabros contra seus semelhantes. O homem é um animal autodestrutivo; destrói a si mesmo e a outros de sua espécie. Hittler, Stalin, Mussolini, Papas, Militares brasileiros, entre outros, nutriram com sangue suas sedes pelo topo da cadeia alimentar do poder. Mera necessidade infantil, insana, de destruir a tudo pelo simples fato de que respondam às suas necessidades.
O homem é autodestrutivo.
Medo
Morte
Perca do valor à vida
Desejo de destruição
Derramamento de sangue de crianças inocentes
Retorno ao nada
Prazer e alivio imediato
Será que somos destinados a nos odiar mutuamente?


domingo, 21 de março de 2010

Filme "Anticristo": Muito barulho por nada

Alguem já teve a oportunidade em assistir ao filme "Anticristo"? Produzido em 2009 pelo bom diretor Lars Von Trier (produziu Dogville, Dançando no Escuro e Idiota), o filme aborda a trama de um casal que perde seu filho. A mãe entra em crise, por achar que foi a culpada e começa um devaneio de ataques violentos da mesma.

Bom, particularmente, na metade do filme disse a mim mesmo: "continue assistindo, quem sabe o fim calará sua boca." Mas enquanto subia os créditos finais, eu ainda fiquei segundos olhando pra tela e dizendo: "mas que porra é essa?"

Gostaria de saber o q tinha na cabeça do diretor em produzir um filme tão nonsense (opinião minha), vago e de uma idéia tão complexa que dá nó até na cabeça dos cinéfilos, cults (e pseudocults tb). Lendo alguns artigos, estes defendem o filme partindo de um estado de depressão que o Lars Von Trier sofreu durante as filmagens, e o filme seria nada mais que uma projeção do que ocorrera com ele.

Pontos positivos: trilha sonora, fotografia...

É filme que pode-se considerar "curioso", pois é rico em simbologias. Mas intitular como "um dos bons de 2009", sei não...


domingo, 17 de janeiro de 2010

Filosofia de Calvin & Haroldo *O*


*Na minha opinião, nós não desenvolvemos pesquisas científicas suficientes para encontrar a cura para os idiotas.
٭É difícil ser religioso quando certas pessoas nunca são incineradas por relâmpagos.
٭Se a sua adrenalina não estiver bombeando, você não está realmente vivendo.
٭Porque perder tempo aprendendo quando a ignorância é instantânea?
٭Bom de má vontade, mas bom de qualquer maneira.
٭Você não aprecia a vida totalmente até que você se arrisca a perdê-la.
٭Os adultos simplesmente agem como se soubessem o que estão fazendo.
٭A vida fica bem mais fácil se você mantiver as expectativas de todo mundo baixas.
٭A infância é curta e a maturidade é eterna.
٭Quando se é sério a respeito de se divertir, nunca é muito divertido.
٭Nada ajuda um mau humor como espalhá-lo.
٭Faça o que tem que fazer e deixe os outros discutirem se é certo ou não.
٭A vida é cheia de surpresas, mas nunca quando você precisa de uma.
٭A infância serve para estragar a maioridade.
٭Um pouco de grossura e desrespeito pode elevar uma interação sem sentido para uma batalha de desejos e adicionar drama a um dia de tédio.
٭Uma boa camiseta transforma o usuário num outdoor corporativo ambulante.
٭Se você se preocupa, você só se desaponta o tempo todo. Se você não se preocupa, nada importa, então você nunca se perturba.
٭Não interessa se você ganha ou perde. E sim como se joga o jogo.
٭Um piada nunca é tão engraçada na segunda vez que você ouve.
٭Se nós não pudéssemos rir das coisas que não fazem sentido, nós não poderíamos reagir a muitas coisas da vida.
٭É muito mais divertido culpar as coisas em vez de arrumá-las.
٭O segredo é quebrar os problemas em pequenos pedaços administráveis. Se você lidar com eles, termina antes de saber disso.
٭Os desapontamentos da vida são mais difíceis de encarar quando você não conhece nenhum palavrão.
٭Aposto que as civilizações futuras descobrirão mais coisas sobre nós... Muito mais do que gostaríamos que soubessem!
٭Se você não praticar esportes, você não têm a mínima chance de fazer comerciais de cerveja.
٭Vivendo e não aprendendo... estes somos nós.
٭Às vezes eu penso que o sinal mais forte da existência de vida inteligente em outra parte do universo, é que eles nunca entraram em contato conosco.
٭Os melhores presentes não vêm em caixas.
٭Se você faz o trabalho ruim o bastante, às vezes não lhe pedem para fazê-lo novamente.
٭O problema das pessoas é que elas são apenas humanas.
٭Nós estamos tão atarefados olhando com que está a nossa frente, que não temos tempo de aproveitar onde nós estamos.
٭O problema com o futuro é que ele continua se transformando no presente.
Isso é um das coisas notáveis sobre vida. Nunca é tão ruim que não possa piorar.
٭Os únicos conhecimentos que eu tenho paciência de aprender são aqueles que não têm uma real aplicação na vida.
٭A felicidade está ficando famosa pela sua habilidade em se viciar em todo tipo de excesso.
٭Há uma relação inversa entre o quanto uma coisa é boa para você e o quanto ela é divertida.
٭Se você não gostar de algo, pelo menos ele fortalecerá seu caráter!
٭A força para mudar o que eu posso, a inabilidade para aceitar o que eu não posso, e a incapacidade para contar a diferença.
٭Então o segredo para a auto-estima é abaixar suas expectativas ao ponto onde elas já alcançaram?
٭A vida é como topografia, Haroldo. Há picos de felicidades e sucessos... pequenos campos de chata rotina... e vales de frustrações e fracassos...
٭Você sabe que vai odiar alguma coisa quando não querem lhe dizer o que é.
٭Só uma menina pode tirar o divertimento que existe na discriminação sexual.
٭O mundo não é justo, eu sei, mas por que ele nunca é injusto a meu favor?
٭Não há nenhum problema tão terrível ao qual você não pode adicionar um pouco de culpa e fazer ele ficar pior.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Shimbalaiê e algo mais


Tá... vc liga a televisão e dá de cara com maaaaaaaaaais uma novela do Manoel Carlos que se aproxima da realidade brasileira (que porra é essa Alexandre... ah, é o que todos dizem. ok, ok...), e acaba ouvindo o tema de uma personagem lá (só sei que a Aline Morais tá aleijada e outras coisas clichês que você já flagra só em ver alguns minutos: Zé Mayar comilão, etc e tal) e...

Maria Gadú não é apenas Shimbalaiê... claro que é uma música muito envolvente, de sentir como se estivesse contemplando o mar. Porém, se for mais a fundo do oceano de músicas que a morena canta e interpreta, poderá encontrar grandes riquezas que apenas complementam seu talento.
Sem mais delongas, aí vai um vídeo de uma de suas canções, cujo nome se chama Bela Flor:






domingo, 13 de dezembro de 2009

Quando o medo se torna belo na voz de Julieta Venegas e Lenine





"O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar"

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O homem sempre foi levado pelo mar; um espaço de grande perigo. Marés, correntes, ondas ventos... cada um apresentando seus próprios riscos, e que jamais podem ser ignorados.

Mas acabo aprendendo que o pequeno erro julgado, poderá se tornar um erro que jamais será capaz de se recuperar.

Também aprendi com os bons marinheiros: aqueles que não lutam contra os tais elementos que lhe amedrontam, mas que trabalham com os mesmos.

Utilizando-os em seu favor.


Logo, enquanto alguns se perdem à deriva, perdendo pedaço por pedaço, o bom marinheiro sempre chegará em casa, em segurança.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A noite mãe do dia
Molhava tua boca
Na língua da poesia
Oh meu grande amor de versos perdidos
Murmurando na chuva como um refrão
Que só faz sentido
No fundo da cama

(Zeca Baleiro, "Versos Perdidos")

É só o amor, é só o amor...




Dá-lhe dá-lhe dá-lhe Mengo!
Dá-lhe dá-lhe dá-lhe Mengo!
Dá-lhe dá-lhe Mengo...SEREMOS CAMPEÕES!!!

Domingo...Eu vou ao Maracanã...
Vou torcer pro time que sou fã!
Eu vou levar foguetes e bandeiras
Não vai ser de brincadeira ele vai ser campeão...
Não quero cadeira numerada.
Eu vou de arquibancada pra sentir mais emoção.
Porque meu time bota pra fudeer.
E o nome dele são vocês que vão dizer! Ôôô_
Ôô ôôôôô ôôôôô ôôô MENGO!
lá lalaialaiá lalaialaiá lalaiá Raça!!

Quando a Raça canta...galera se levanta...
Iiih só dá Mengo...
Lê lêlê lêlê lêlê bota pra fuderr!

Eu sempre te amarei
Onde estiver estarei
Oh meu Mengo!

Tu és time de tradição
Raça amor e paixão
Oh meu Mengo!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Carpe Diem

Fim de semestre, me mato e ainda recebo a notícia as 6h de que meu nome foi pra prova final numa disciplina...
Que vou fazer? Vou matar????!!!! Nãaaaaaaaao... virei pro outro lado e dormir.
Viver o presente, fio... o presente.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Um poema para meu sonho

Alturas de Macchu Picchu
Suba o nascer comigo, irmão
Dê-me a mão desde a profunda
zona de tua dor disseminada.

Não voltarás do fundo das pedras.
Não voltarás do tempo subterrâneo.
Não voltará tua voz endurecida
Não voltarão teus olhos furados.

Olhe-me do fundo da terra,
lavrador, tecelão, pastor calado:
domador de lhamas tutelares:
pedreiro de andaime desafiado:

Ajudante dos pavores andinos:
Joalheiro dos dedos machucados:
Agricultor trepidando na semente:
Oleiro em teu barro derramado:

Traga o cálice desta nova vida
Vossas velhas dores enterradas
Mostra-me vosso sangue e vosso sulco
diga-me: aqui fui castigado,

porque a jóia não brilhou ou a terra
não entregou a tempo a pedra ou o grão
assinala-me a pedra em que caístes
e a madeira em que o crucificaram,

inflama-me as velhas pedras,
as velhas lâmpadas, a violenta chibata
através de séculos nas chagas
e os castiçais de brilho ensangüentado

Eu venho falar por vossa boca morta.
Através da terra junte todos
os silenciosos lábios derramados
e do fundo fale-me toda esta longa noite

como se eu estivesse com vós ancorado
conte-me tudo, pouco a pouco,
dado a dado, passo a passo.

Afie as lâminas que guardastes,
coloque-as em meu peito e em minha mão,
como um rio de raios amarelos,
como um rio de tigres enterrados,

e deixe-me chorar, horas, dias, anos,
idades alucinadas, séculos estrelares.
Dê-me o silêncio, a água, a esperança.
Dê-me a luta, os ferros, os vulcões.

Grude os corpos como ímãs.
Ajude meu corpo e a minha boca.
Fale por minhas palavras e por meu sangue.

- Pablo Neruda

A seguir, um vídeo de Macchu Pichu, feito pela galera do brasildemochila.com, com a música Condor Pasa, na versão da banda de Cusco Tupananchiskam:




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Que diabos é Lockerz??!!


Fuçando uns sites aí, vi inúmeros anúncios de pessoas chamando para um site chamado Lockerz, onde este lhe disponibiliza "prêmios" que vão de pen drive a PlayStation 3, partindo da quantidade de pontos que você adquire ao responder perguntas, convidar amigos, etc. Como todo santo desconfia quando a esmola é demais, ou não (olho maior que a barriga!), pergunto se é verdade ou mito.

Independente de sua veracidade, nenhum produto que o usuário adquire é de graça... Este é mais um dos sites que lucram centavos a cada clique que é dado. Para se ter idéia, para se tornar usuário é necessário um convite. Ou vc adquire de um usuário já cadastrado, ou tenta pelo site, onde a primeira tentativa não funciona, razão pra vários cliques; agora, imagine uma multiplicação em massa de usuários, tentando entrar no site, e a cada clique os idealizadores do site lucram. Uma fortuna!! E quem colabora com essa façanha é o usuário em recompensa de um notebook (isso se chegar a tempo de conseguir por seu nome na lista).

Enfim, não se trata de indagar se é um golpe a mais, ou se é real... O fato é que eles jogam a isca e a galera vai com tudo pra tentar pegar o seu. Eu mesmo acabei de fazer o meu cadastro... errrr... só pra ver se é verdade mesmo, sabe... 9_9

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Bendita a melodia: Norah Jones e seu novo CD



Alguns dizem que ela canta miando, outros a reverenciam como ganhadora de inumeros Grammys, mas na verdade Norah Jones é bastante mais que um fenómeno de vendas global que dispara recordes. A moça veio de um casal de artistas: Sue Jones, cantora de jazz e que teve a bossa nova como inspiração e o grande artista indiano, icone da música, Ravi Shankar, mas que sempre esteve fisicamente distante da sua vida.

Já em seu quarto álbum, "The Fall", Norah Jones volta a não prescindir de se reunir com os melhores músicos e conselheiros. Ryan Adams é um dos vários co-autores das canções de "The Fall" (Jesse Harris, Mike Martin e Will Sheff também foram ajudar Norah Jones na composição). E entre os vários instrumentistas, constam os créditos do lendário guitarrista Marc Ribot (que Tom Waits e Elvis Costello bem conhecem em alguns dos seus discos).

"The Fall" mostra sua qualidade, com perfume de americana e consciência histórica da riqueza musical dos Estados Unidos. Norah Jones paga a língua dos que diziam que ela não passaria do terceiro. A norte-americana canta miando as melodias do jazz e soul (agregando elementos folk) e fá-lo com uma sensualidade sempre quente.

O novo álbum da cantora possui tal variedade de ritmos que, onde sua voz se encaixa no seu piano e nos arranjos de guitarra. The Fall, acredito eu, seduzirá tanto os adoradores do jazz clássico, como também do rock rural.


errr... bem... e pra não perder o hábito: já disponibilizaram o link para download hauauaahau.
http://www.megaupload.com/?d=9F8JAUDY



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Levando a casa numa sacola (e retornando com o mundo dentro dela)

Alô mochileiros (as) de plantão!!

Mineiro que não só come pelas beiradas, mas que possui um coração do tamanho do mundo.
Alexandre Magno publica em breve um de seus livros "Reflexões de um mochileiro", onde neste é narrada sua passagem por diversos lugares do mundo, bebendo de diversas culturas e, que é de praxe, crescendo e se modificando como indivíduo.
Aqui faço questão de divulgar esta preciosidade, a qual tenho tido a honra de conhecer o "pai" e em poder acompanhar seus trabalhos finais, mesmo estando distante.
Vai em frente, hermano (e reserva o meu kkkkk)!!


(...) Ser mochileiro é muito mais do que se pode definir em palavras. É algo que transcende as viagens e acaba se tornando uma filosofia de vida."
-Alexandre Magno.

Não tenho nada com isso
Nem vem falar
Eu não consigo entender
Sua lógica

Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica
Mas acontece que não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu, já não deu
Acho que nada restou pra guardar ou lembrar

Do muito ou pouco que houve entre você e eu
Nem uma coisa virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra si cantar

Soa o que soa eu não douro a pílula
Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo mundo podendo brilhar num cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico
(Caetano Veloso)

Canção interpretada pela banda baiana, "O Círculo" (uma mostra de que aqui não é a terra da poha do axé):




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Bom filho à casa torna...


... e depara com uma penca de baratas comendo aquela ultima postagem que deixei em cima da mesa. De fato, faz um bom tempo que não posto nada no meu blog; não por falta de vontade, e sim por estar envolvido com outras situações que tiraram meu tempo.
O fato de estar fazendo algo e, simultaneamente, estar com a cabeça em outro lugar me fez pensar em retornar aqui. O desejo de estar em varios lugares ao mesmo tempo é possivel (um hermano me explicou esta façanha), contudo é necessário se perceber e ir em busca destes outros eus, espalhados por aí.
E creio que aquele eu que ficou no encargo de atualizar o blog é um baita de um preguiçoso!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Coisas da Vida

" A história fala também que Deus criou o homem espelhando a sua prória imagem. Mas não há muitas coisas que provem isso. Afinal de contas, Deus fez o sol, a lua e as estrelas, mas tudo o que o homem faz é bobagem."

(Dra. Miranda, da série Grey's Anatomy)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Não seria bom se tudo desaparecesse...

Oceano de perdição
Almas frágeis
Sorrisos desonestos
Objetos mórbidos
Auto-destruição
Estranhos cruéis
Substituição do sexo oposto
Cura imediata
Fragilidade espalhando-se
Desejo do nada
Ego emprisionado
Medo de separação
Erros não correspondidos
Medo repentino de estranhos
Pensamentos perigosos
Negação com estranhos
Aversão à harmonia
Compreensão arrogante
Piedade dos fracos
Fotografias embaraçosas
Cicatrizes do passado
Fronteiras enevoadas
Divergência do senso comum
Pessoas sós
Pergunta de valor
Ilusão com desejo
Retorno ao ventre da mãe
Tempo vazio
Princípio de fabricações
Continuação da realidade
Prazo para desejar fortemente o desnecessário eu
Esse é o fim do sonho
Então, porque estás aqui?

...Queres mesmo ficar aqui?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

"Quanto vale a vida, na última cena, quando todo mundo pode ser herói?

São segredos que a gente não conta
São contas que a gente não faz
Coisas que o dinheiro não compra
Perguntas que a gente não faz:
quanto vale a vida?"




terça-feira, 19 de maio de 2009

O Castigo

Como fosse um dia remoto e eu aflito
Aproveitem o caminho, que um dia fora uma ilha
E eu não poderia ficar pelo fato de haver acreditado neles
Levados pelo crepúsculo sempre nesta época

Noite impraticável num amontoado de saudades
Crianças totalmente crescidas, vocês deixarão as luzes
Sua família não pode adiar, Senhor, pode acreditar
Nossos pais lamentam esse dia, eles nos buscam de joelhos
Deixem-nos pensarem o que quiserem, pois eles têm bons motivos
Levados pelo crepúsculo sempre nesta época

(tradução da canção The Penalty da banda Beirut, extraído do álbum The Flying Club Cup)

sábado, 9 de maio de 2009

No último banco da igreja ele sentou e chorou
Seria o retorno da sua fé?
Pensava no momento de felicidade que tivera
O momento em que encontrou o que desejava

Mas o tempo é bipolar e não podia viver uma felicidade eterna
Sim, a Dona Felicidade apareceu pra ele
Linda dama que lhe estendeu sua mão e ficou ao lado dele até o amanhecer
No entanto Dona Felicidade caminha acompanhada da Menina Saudade
Pequena, porém possui um olhar inflamável, penetrante.

Ela deseja a Felicidade apenas pra si.
Na tese da vida, a Dona Felicidade o abandonou por um tempo,
Deixando-o sob os cuidados da Menina Saudade.

E no fim daquela tarde, no último banco da igreja, a saudade o permitiu chorar por ter sido tão feliz naquele dia.



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

quinta-feira, 16 de abril de 2009

HUMOR


Zefirina passeava pelos campos de trigo e contemplava o movimento dos moinhos pelo vento do fim de tarde. Arrancava um galho e o mordiscava entre seus dentes brancos.

Tudo parecia calmo e uma sensação de ócio flertava o seu redor; o que ela mais desejava era ornar o seu adro com os grãos de trigo, aqueles aos quais ela se interagia e contemplava as ondas que estes formavam com o trânsito do vento.

Zefirina questionava o porquê de não ter feito isso antes, de construir seu espaço agradável...

Talvez estivesse ocupada demais, cansada demais, triste demais, ou namorando demais. Enfim, até então, não havia se dedicado em construir seus momentos de paz. Mas agora, Zefirina está feliz: podia beber água pura da fonte, poderia roubar as melhores maçãs do vizinho e poderia passar entre os cães ferozes que guardavam o quintal sem medo; poderia viver sem se importar com o pensamento das pessoas acerca dela, poderia viver sem moral, poderia andar descalça, sem calcinha, poderia tomar banho de cachoeira, nua.

Também poderia invadir a vida das pessoas, entrar em suas casas e em seus quartos sem ser notada... Tinha, agora, a capacidade de entrar em suas mentes e descobrir seus desejos mais íntimos.

Diante do barulho dos moinhos de vento, e deste passando pelo trigal, Zefirina sorria e, agachada, ornava o adro em volta do seu antigo corpo que jazia estendido no chão, cujo sangue tingira seu vestido branco.

E pelo seu semblante ela parecia muito feliz.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Uma única semana que é "santa"

Conhecida como Semana Santa, neste período as pessoas descarregam pra seu exterior toda piedade, ou piegas, ou remorso (é! remorso é o termo mais apropriado) a fim de obter a expiação de seus pecados. Neste período, nas religiões cristãs sobretudo, se revive (ou revira) os momentos de morte e ressurreição de Jesus. O fato do Filho de Deus morrer por vontade do pai atribui aos humanos as toneladas de culpas por sua morte...

Lembro da infância e o quão este período me atormentava. Eu tinha que me comportar cândidamente durante este periodo, pois era sagrado; apenas aquela semana era santa!!!! E ela continua sendo santa até os dias de hoje somente este período... Trágica consideração, assim como os dias de aniversário.

Conclusão: aproveite os momentos de expiação, paz e graça desta semana; na próxima voltaremos a ser, "fraternalmente", lobos famintos de nós mesmos.




domingo, 22 de março de 2009

A doçura na música japonesa - Maaya Sakamoto


Pra quem diz que japonês é um indivíduo estranho e que suicídio é o hobbie preferido deles, e que todo anime (aqueles desenhos dos personagens "zoiudos") é pokémon, logo coisa do capeta; apresento a vocês Maaya Sakamoto, cantora de JMusic... simplemeste cativante. É conhecida no Japão e no mundo pelo seu trabalho como dubladora e cantora, e sua voz cativa àqueles que acompanham suas músicas.

Comentava com um amigo que ela é feliz (risos) e isso é perceptível em suas músicas. Não, não sei japonês, mas sei consultar as traduções disponiveis no site do Terra e percebo quão rica são seus versos. A música "Hemisphere" retrata o conflito de viver neste mundo e a importância de fazer algo por ele:

"Pessoas seguem em frente
Apenas para viver
Eu continuo indo, como se as informações incompletas são reescreitas
Parece que eu comecei a andar sozinho num lugar despovoado
Até que eu fique mais confiante, eu quero corresponder as minhas expectativas (...) Eu quero saber mais sobre mim mesmo..."

A música Midore no Hane se baseia na esperança de cultivar a paz diante a dor insuportável e crescente que causamos a este mundo.

"Seja aonde for que esteja o amor do sol
Nós vamos a uma perdoável caminhada
A tristeza e a noite podem ser rasgadas em duas
Porque eu cantarei uma canção que carregue força..."

Por fim, uma das minhas favoritas, chamada Chibikko Folk (Pequenas Pessoas) ... Inspirada em Kafka tras emoção na melodia e em sua letra. Totalmente reflexiva, para mim é uma revelação do talento de uma mulher que apenas canta e traz sentimentos em sua voz. Eis a seguir a tradução:

-Pequenas pessoas-

Fechando o livro que eu estava lendo e guardando o pão que eu estava mordiscando, eu abri a janela e percebi
que uma única pena caiu na borda da janela.
Ninguém sabe onde os sonhos das crianças desaparecem

Eu vou procurar por eles
Eu vou resgatá-los

Eu gentilmente pus uma manta nas noites de insônia das crianças
que vivem em terras em que um odeia ao outro
e cidades que se ferem uns ao outros.
Eu estou ficando acordada.
Eu estou bem aqui então não se preocupe
Eu estou vigiando você então não se preocupe
Eu estou ao seu lado então não se preocupe

Kafka disse uma vez "se o Mundo inteiro luta contra você..."
Se o Mundo inteiro já lutasse contra mim,
se o que já aconteceu
Eu acho que eu me aliaria com o mundo do meu inimigo

Eu acho que eu jogaria fora tudo e lutaria
Eu acho que eu jogaria fora minhas armas e lutaria
Eu acho que eu jogaria fora tudo e lutaria
Eu acho que eu jogaria fora minhas armas e lutaria


ouça a música Chibikko Folk:



terça-feira, 3 de março de 2009

A felicidade aparece em aspectos misturados às situações do cotidiano. Ora, nos pega de surpresa.

Pra que esperar uma felicidade eterna, construída apartir de nosso medo de viver, uma vez que as pequenas coisas proporcionam momentos agradáveis? Dizem que eu faço pouco caso das grandes maravilhas e que me alegro com coisas ou situações triviais e, devido a isso, me torno alguém estranho. Estranho... viver é isso. "With Strangers" revela um pouco disso em sua canção...

Bom, o porquê desse desabafo vem a partir do encontro entre eu e a fotografia. Estávamos em ressacas de carnaval, não que bebemos excessivamente; a ressaca de um feriado improdutivo, lançado ao marasmo e à languidez de uma cidade esvaziada por aqueles que aguardam o término das festas para cairem na rotina de viver mais um ano. Deparei com a situação de registrar uma interação: A borboleta e sua flor. Mútua contemplação, a qual fui presenciar. Ali havia felicidade e me sentia feliz.

Registrei, fotografei, guardei na alma o momento em que permaneciam no fundo do quintal, no calor da tarde, três seres que necessitavam de metamorfoses para viver. E fui feliz e meu ato foi motivo de risadas... É aí que entra a frase que "ser feliz é fazer os outros felizes"?