terça-feira, 2 de setembro de 2008

Empatia por Sra. Lispector


Dá-me a tua mão


Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

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Dentro do ônibus tento acompanhar a mente de Clarice, mas ela vai sempre na frente; mesmo assim, ela me entende. São em alguns intervalos, entre aquilo que chamamos de realidade e idéia, que me pego pensando, sobre o que vêm a ser aquelas necessidades de pensar sobre um futuro próximo. Isso equivale ao silêncio que substitue a resposta.
Queria a resposta agora, desejava antes de digitar isso. Mas é tolice... que graça teria se as respostas estivessem prontas? O que seria do indivíduo, cuja existencia está alicerçada em especulações sobre a sua vida, se obtivesse interpretações pré-fabricadas?
Essa busca cega que Clarice relata, me faz lembrar do quanto busquei determinados princípios. Não, ainda não encontrei; se já, fui displicente e deixe escapar. Mas naqueles espaços que dividem os dois grãos de tempo, passado e futuro, existem aquele presente, onde vivo aquela inconstância momentânea.

2 comentários:

Murillo Rodrigues disse...

Clarice nos entenderia...

Alexandre Alves disse...

Será?
Creio q a compatibilidade de Clarice com as pessoas semelhantes a ela é equivalente à incompreensão eterna.